Eu sei que tinha encerrado este Blog por sentir que já não fazia tanto sentido.
Mas hoje não resisti...
Este Blog começou um pouco antes desta revelação do movimento Bodypositive, acompanhou-o um pouco e nos últimos tempos senti que no fundo não escrevia aqui nada de novo.
Hoje contudo encontrei um artigo que achei piada e decidi vir aqui escrever, se quiserem ver podem clicar no link abaixo.
artigo
Concordo inteiramente com o artigo. Acho que finalmente começa a sair de moda o ser magro e a estar na moda o aceitar-se as imperfeições.
Como espécie almejamos a beleza como um símbolo de perfeição.
Mas nem todas somos perfeitas e queremos sentir-nos representadas.
Continuo a achar que as mulheres são mais bonitas quando num peso saudável. Mas algumas de nós não estão nesse peso e também devemos poder ver como as roupas nos fica.
É disto que a moda agora trata.
Não é uma glorificação da gordura!
É uma aceitação de que os gordos são pessoas como as outras e têm o direito a experimentar com moda e viver plenamente sem ter de se esconder em casa ou em roupas de formato tenda.
As pessoas continuam a não querer ser obesas, e isso é necessário que se mantenha!
Ser demasiado gordo não é bom, e não acredito que alguém que seja gordo o ache.
Mas nós os gordos, graças a estas mudanças passamos a poder não ter mais o problema psicológico, acrescido a todos os outros que vêm com a gordura, e que nunca fez ninguém emagrecer.
Não é demais reforçar que as pessoas não são gordas porque querem. E não devem por isso ser ostracizados pela sociedade.
Eu particularmente desde que vim para a Inglaterra tenho sentido a gordura de forma totalmente diferente. Aqui as pessoas são mais gordas do que em Portugal e por isso eu na maioria dos dias sinto-me super normal. É bom finalmente ir às lojas e haver o meu tamanho em praticamente tudo, é bom não sentir que as pessoas me olham mais pelo meu tamanho que pelo meu estilo por exemplo. É muito bom não me sentir posta de parte ou gozada pelo meu tamanho, como já fui tantas vezes, até em contexto de trabalho,
Outra das coisas que este movimento trouxe à tona é que há gostos para tudo e que aquilo que incomoda uma pessoa pode ser adorado por outra.
Tenho por isso adorado ver as notícias de pessoas com deficiências, excesso de peso, doenças... a desfilarem nos desfiles de moda um pouco por toda a parte do mundo.
A pouco e pouco este movimento conseguiu o impensável, derrotar a ditadura da magreza e da beleza convencional como único modelo a seguir. Nem a Vitoria Secret foi poupada, com o seu espectáculo a ser descontinuado. Na lei da selecção natural não são os mais fortes que sobrevivem são os mais adaptados. E as forças pequeninas todas juntas podem muito.
Não estávamos no global a ser representados. É uma Era de mudança, em que cada um pode ser o que é e sentir-se feliz na sua pele. Viva!!!
Termino isto com uma foto de mim a ser gorda e num dia em que me sentia particularmente confiante na minha gordisse. :D
Este é um blog sobre dietas... mas sobretudo sobre como devemos ser felizes mesmo gordos.
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quinta-feira, 1 de agosto de 2019
quinta-feira, 29 de junho de 2017
As gordas
Hoje encontrei um artigo em que uma mãe faz a distinção em inglês de fat=gorda, com fat=gordura.
Ela tinha sido chamada de fat=gordura pela filha.
Ora em português se a nossa língua não se presta a estas confusões, há contudo semelhanças, e a semelhança está na conotação muito negativa que algumas pessoas vêem com o ser-se chamado gordo ou gorda.
Eu pessoalmente não tenho nenhum problema com a palavra, é verdade que sou gorda, mas isso é apenas um descritivo de uma das minhas características, o problema não está na palavra o problema está em a palavra ser vista como um insulto quando não é. Incomodam-me mais todos os eufemismos que podem dizer gorda do que o gorda em si, porque me faz sentir que vivo num mundo em que isso é um problema quando não deveria ser.
Quando aqui há algum tempo falei com a minha editora no sentido de converter o conceito do blog num livro, uma das senhoras da editora disse que eu não deveria dizer gordas. Eu digo, continuarei a dizer e se um dia alguns destes pensamentos virarem livro quero poder dizer as gordas, sabendo que não será visto como um insulto mas apenas como uma palavra na qual me revejo sem ser associada a nenhum insulto. Quero que as pessoas deixem de ter vergonha de serem gordas, acho que é mais isso, que ser gordo não seja algo que se tenha de ser de forma envergonhada porque não se pode esconder.
Quero que deixe de associar baixa auto-estima e insegurança com o ser gordo, como num anúncio a um ginásio, que me deixa indignada todos os dias onde colocam escrito na pele duma gorda imensas doenças e coisas como fraca auto-estima, insegurança e numa mulher magra os opostos. Quero que se entenda que sim, o excesso de peso pode significar e aporta doença, mas magreza não é sinónimo de saúde e nem deve ser aceitável marginalizar alguém em relação ao peso ou à saúde, ou a qualquer comportamento que não prejudique outros.
Um pouco como as asneiras na boca das pessoas do Porto e de Lisboa, em relação ao termo gorda o importante não é a palavra, é a carga emocional e a conotação que lhe está inerente. Sempre vi mais pureza em algumas asneiras no Norte, que em muitos sorrisos do sul.
E viva a transparência, viva o chamar as coisas pelos nomes, viva o politicamente incorreto que estreita distâncias e nos torna a todos nas nossas singularidades igualmente merecedores de respeito e valor.
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