Na semana da moda em NY aconteceu recentemente o desfile de moda de lingerie para Plus Size de Ashley Graham.
Hoje a ler um artigo no expresso deparei-me sobre um post acerca do mesmo, em que a autora se foca no fundo mais nos comentários negativos às modelos do que nos positivos. Ainda que tenha gostado do tema, devo dizer que na perspectiva de alguém que é gorda para uma autora que o não é, preferiria ter visto um artigo focado no positivo. Ainda assim entendo que a intenção foi óptima e deixo aqui o link.
http://expresso.sapo.pt/blogues/bloguet_lifestyle/Avidadesaltosaltos/2016-09-19-A-lingerie-sexy-nao-e-so-para-gente-magra
Após a leitura do texto deixei um comentário e fui imediatamente atacada pessoalmente por alguém que veio responder ao meu comentário dizendo que "é inato às gordas querer elogios". Ora eu quero apenas concordar com este senhor, dizendo antes: é inato ao ser humano querer apreciação. Ainda que veja muito mais esta necessidade de apreciação nas pessoas que odeiam gordas, que nas gordas em si. Afinal, por norma as gordas assumem uma forma que recebe muito mais crítica social negativa que propriamente apreciação, pelo menos de forma aberta em sociedade.
Acho engraçado este ódio aos gordos em geral, os gordos não fazem mal a ninguém por serem gordos. Na realidade é uma doença e em alguns casos uma opção pessoal, talvez mais até do que comportamentos como fumar e beber que podem incomodar os outros por contaminar o ar por exemplo, ou por desacatos e acidentes causados por excesso de álcool, que são tão frequentes.
Mas o ódio aos gordos acho que só é comparável ao racismo, ou à homofobia. É um ódio só por outro ser quem é, sem que o gordo traga algum prejuízo ao outro, e sendo o único benefício decorrente deste insulto o puro prazer sádico do que insulta.
A minha opinião nisto é que pessoas que seguem as normas sociais, se sentem postas em causa com a diferença, e acham "se eu me esforço por seguir tal norma devo impor esta norma aos outros". Acredito que este ódio é um fruto de pessoas demasiado conformistas para conseguirem questionar a realidade que os rodeia, ou com demasiado medo para a assumirem na sociedade.
Armam-se então de todos os argumentos referentes à saúde sem se darem conta que a grande maioria das modelos plus size está na realidade na classe de peso com maior esperança de vida e com menos morbilidades associada, ao contrário das modelos de "tamanhos normais". Temos ainda de ter em conta, que tamanho normal é relativo, tendo em conta que se tomarmos a norma como exemplo, as plus size estão também mais dentro da norma que as outras..
Em relação ao desfile, eu tinha já visto esta notícia do desfile há uns dias e ontem quando voltei de fim de semana mostrei-a ao meu namorado (só como provocaçãozinha por ele ter como principal defeito o facto de ser super ciumento) e disse-lhe a brincar:
- Vou mudar de carreira, decidi ser modelo de lingerie plus size!"
Rimo-nos imenso, e ele, que por caso fez desporto de alta competição, anda a treinar para uma maratona e tem um corpo de modelo magro, respondeu-me:
- "Se quiseres não te falta nada".
Na realidade devo terminar este texto dizendo que deve ser realmente "inato a mim por ser gorda procurar elogios", estranhamente os únicos elogios que me interessam são os das pessoas que amo.
E como forma de elogio a mim mesma decidi pôr aqui uma foto de mim, GORDA e SEXY, tal e qual modelo Plus Size!!!
Este é um blog sobre dietas... mas sobretudo sobre como devemos ser felizes mesmo gordos.
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Deficiência e inclusão
Hoje o tema sobre o qual escrevo é um bocadinho diferente e ainda assim dentro do que costumo, pois também ele trata da aceitação da sociedade à diferença.
Estava a ler um artigos sobre os Jogos Paralímpicos e concretamente sobre uma nadadora paralímpica que sigo no facebook e que admiro, e numa das suas conversas ela ressalvava a importância de mostrar que as pessoas com deficiência podem ter uma vida plena e que a deficiência muitas vezes é menos limitante do que as barreiras psicológicas que muitas vezes as pessoas que não têm deficiência põem a si mesmos.
Esta é uma temática pela qual eu tenho um carinho especial pois este post é também uma forma de homenagear as três pessoas mais importantes da minha vida:
O ter crescido neste contexto ensinou-me a valorizar o tema e a desvalorizar a deficiência
Valorizo o tema porque entendo a necessidade de valorizar as pessoas com deficiência, um mundo não adaptado como aquele em que vivemos é um incentivo a que as pessoas, se forem portadoras de qualquer uma destas condições limitantes, não vivam, mas sobrevivam. Eu que não tenho nenhuma deficiência física mas que tenho uma lesão no pé tive de usar muletas para me locomover algumas vezes o que me abriu um bocadinho os olhos para esta realidade, mas que está totalmente distante da realidade que pessoas de cadeira de rodas, invisuais ou com outras limitações maiores e permanentes enfrentam.
Desvalorizo contudo a deficiência, porque acho que as pessoas com alguma incapacidade são muitas vezes vistas pela incapacidade que têm e não pela pessoa que são, mesmo no descritivo que fazemos da pessoa.
O facto de o meu pai sempre ter feito uma vida totalmente normal, incluindo trabalho com artes manuais, desporto, agricultura, conduzir e nunca deixar que isso o limite é inspirador. Ele podia (após o acidente que o fez ficar com este problema) passar o resto da vida a sentir pena de si e em vez disso pôs mãos à obra, delineou para si um futuro diferente do previamente planeado e vive sem que isso o limite. Vejo em muitas pessoas com deficiência esta garra de fazerem tudo, sem deixarem que o mundo as limite ou rotule apenas pela deficiência que têm, o que me faz tê-las como exemplo e admirá-las.
A verdadeira inclusão acontece quando o mundo e sociedade vêem as pessoas que têm deficiência sem ser através do rótulo da mesma, ou seja, assumem as pessoas portadoras de deficiência na sua constituição, e se adaptam também a estas pessoas para que elas não tenham este esforço extra de se tentarem a adaptar a um realidade que muitas vezes os coloca à margem, não reconhece o seu lugar de indivíduo válido, ou não é feita tendo em conta também as suas necessidades.
Ainda dentro desta temática ontem começaram os Jogos Paralímpicos e de hoje é o dia do fisioterapeuta, uma profissão essencial para a reabilitação, inserção, qualidade de vida e felicidade de muitas pessoas portadores de deficiência.
Aproveito para deixar aqui o link dum artigo sobre a Camille Rodrigues, a quem admiro.
/https://tudobemserdiferente.wordpress.com/2013/08/29/conheca-a-historia-de-camille-rodrigues-nadadora-paraolimpica-que-ama-salto-alto-ser-diferente-e-fashion-por-mariana-silva/
E uma foto da minha família, de quem me sinto orgulhosa e que são sem duvidas, pessoas que fazem deste mundo um mundo melhor!! :D
Estava a ler um artigos sobre os Jogos Paralímpicos e concretamente sobre uma nadadora paralímpica que sigo no facebook e que admiro, e numa das suas conversas ela ressalvava a importância de mostrar que as pessoas com deficiência podem ter uma vida plena e que a deficiência muitas vezes é menos limitante do que as barreiras psicológicas que muitas vezes as pessoas que não têm deficiência põem a si mesmos.
Esta é uma temática pela qual eu tenho um carinho especial pois este post é também uma forma de homenagear as três pessoas mais importantes da minha vida:
- O meu Pai que é portador de uma deficiência física quase desde o início da idade adulta;
- A minha Mãe que é educadora de infância licenciada em educação especial e trabalhou com crianças com deficiência durante muitos anos;
- A minha irmã que escolheu ser fisioterapeuta, para poder melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência.
O ter crescido neste contexto ensinou-me a valorizar o tema e a desvalorizar a deficiência
Valorizo o tema porque entendo a necessidade de valorizar as pessoas com deficiência, um mundo não adaptado como aquele em que vivemos é um incentivo a que as pessoas, se forem portadoras de qualquer uma destas condições limitantes, não vivam, mas sobrevivam. Eu que não tenho nenhuma deficiência física mas que tenho uma lesão no pé tive de usar muletas para me locomover algumas vezes o que me abriu um bocadinho os olhos para esta realidade, mas que está totalmente distante da realidade que pessoas de cadeira de rodas, invisuais ou com outras limitações maiores e permanentes enfrentam.
Desvalorizo contudo a deficiência, porque acho que as pessoas com alguma incapacidade são muitas vezes vistas pela incapacidade que têm e não pela pessoa que são, mesmo no descritivo que fazemos da pessoa.
O facto de o meu pai sempre ter feito uma vida totalmente normal, incluindo trabalho com artes manuais, desporto, agricultura, conduzir e nunca deixar que isso o limite é inspirador. Ele podia (após o acidente que o fez ficar com este problema) passar o resto da vida a sentir pena de si e em vez disso pôs mãos à obra, delineou para si um futuro diferente do previamente planeado e vive sem que isso o limite. Vejo em muitas pessoas com deficiência esta garra de fazerem tudo, sem deixarem que o mundo as limite ou rotule apenas pela deficiência que têm, o que me faz tê-las como exemplo e admirá-las.
A verdadeira inclusão acontece quando o mundo e sociedade vêem as pessoas que têm deficiência sem ser através do rótulo da mesma, ou seja, assumem as pessoas portadoras de deficiência na sua constituição, e se adaptam também a estas pessoas para que elas não tenham este esforço extra de se tentarem a adaptar a um realidade que muitas vezes os coloca à margem, não reconhece o seu lugar de indivíduo válido, ou não é feita tendo em conta também as suas necessidades.
Ainda dentro desta temática ontem começaram os Jogos Paralímpicos e de hoje é o dia do fisioterapeuta, uma profissão essencial para a reabilitação, inserção, qualidade de vida e felicidade de muitas pessoas portadores de deficiência.
Aproveito para deixar aqui o link dum artigo sobre a Camille Rodrigues, a quem admiro.
/https://tudobemserdiferente.wordpress.com/2013/08/29/conheca-a-historia-de-camille-rodrigues-nadadora-paraolimpica-que-ama-salto-alto-ser-diferente-e-fashion-por-mariana-silva/
E uma foto da minha família, de quem me sinto orgulhosa e que são sem duvidas, pessoas que fazem deste mundo um mundo melhor!! :D
terça-feira, 6 de setembro de 2016
A auto-estima dos gordos
Este post é uma carta de amor a mim mesma!
Por isso quero reforçar que esta é a minha postura face à gordura e ao meu corpo e entendo que a generalidade das pessoas não pense assim e não se sinta identificado com o que escrevo.
Estudos sociológicos realizados acerca da imagem corporal denotam uma associação entre uma degradação da auto-estima e o aumento de peso.
Eu acredito que esta questão afecte sobretudo as pessoas que vêm inicialmente dum estado de peso muito saudável. Isto de ser gordo mexe muito com a nossa identidade e se parte da minha identidade é o meu corpo então quando este é alterado essa ou sofre um reajuste ou far-me-á sofrer inevitavelmente.
Eu fui uma criança magra, sofro de excesso de peso desde a adolescência embora tenha tido variações de peso superiores a 30 kg. No meu caso concreto, depois duma infância em que me sentia uma criança bonita, e duma adolescência em que me sentia horrível, conquistei uma auto-estima saudável na idade adulta.
Gosto dos meus pontos fortes, aceito os mais fracos e embora veja o meu peso como o meu grande defeito (pois tem origem num descontrolo) sinto como libertador o facto de o meu pior defeito ser visível e de a partir daí não ter de provar nada a ninguém. Tudo o que se conheça de mim só pode ser melhor que a primeira impressão que se tem. Ser gorda é libertador!!
Ninguém nasce e cresce a querer ser gorda, mas acho que nos podemos desenvolver de forma a que isso passe a ser parte de nós sem que nos incomode.
Sinto-me parte dum grupo contrário ao destes estudos realizados, a minha identidade presentemente não está muito associada ao meu aspecto físico, embora eu me sinta feliz mesmo com o meu aspecto físico.
Admiro as pessoas boas em primeiro lugar, as inteligentes em segundo e só após isto as bonitas. E também por esta ordem me preocupa o falhar numa destas áreas.
Talvez por isso tenha uma auto-estima que considero saudável. Gosto de mim!!!
Aceito quem tem uma opinião diferente mas isso não afecta a minha.
Tenho a sorte de acordar todos os dias, olhar para o espelho e sentir-me bonita. Depois dum período em que usava a maquilhagem para esconder os meus defeitos, comecei a gostar desses mesmos defeitos. Continuo a gostar de maquilhagem, mas neste momento, porque vejo nestes gestos um momento de cuidado e amor para comigo mesma.
Para não maçar ninguém com este texto que pode ser entendido como arrogante, deixo aqui o testemunho da Ashley Graham, uma mulher lindíssima que teve também ela um caminho de aceitação até ao amor próprio.
Aproveito ainda este post para anunciar que desejo incluir no blog em posts futuros testemunhos de mulheres que se aceitam e estimam como são. Algumas das mesmas essenciais como modelos neste processo de auto aceitação e crescimento do meu amor próprio.
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Este é um post sobre assuntos sérios.... Síndrome dos Ovários Poliquísticos, maternidade, obesidade e igualdade de género
Este é um post sobre assuntos sérios:
A síndrome dos ovários poliquísticos é uma condição patológica que me acompanha desde a adolescência, que me influencia física e psicologicamente, que nos últimos anos tem condicionado algumas das minhas decisões e moldado a minha visão do mundo e de mim mesma.
Esta patologia é um distúrbio endócrino, que provoca alteração dos níveis hormonais induzindo a formação de quistos nos ovários e fazendo que os mesmos aumentem de tamanho.
Esta doença além dos quistos nos ovários interfere com muitos outros órgãos e sistemas do corpo provocando:
A síndrome dos ovários poliquísticos é uma condição patológica que me acompanha desde a adolescência, que me influencia física e psicologicamente, que nos últimos anos tem condicionado algumas das minhas decisões e moldado a minha visão do mundo e de mim mesma.
Esta patologia é um distúrbio endócrino, que provoca alteração dos níveis hormonais induzindo a formação de quistos nos ovários e fazendo que os mesmos aumentem de tamanho.
Esta doença além dos quistos nos ovários interfere com muitos outros órgãos e sistemas do corpo provocando:
- Menstruação irregular,
- Aumento na produção de testosterona com um aumento consequente da pilosidade e do acne,
- Obesidade,
- Resistência à insulina com o aumento da incidência de Diabetes Mellitus,
- Cancro do útero
- Infertilidade
- ...
No meu caso concreto tenho esta síndrome numa vertente muito severa, tendo alterações morfológicas muito pronunciadas em ambos os ovários, alterações menstruais e dores, aumento de peso pós puberdade, acne desde a adolescência, pilosidade em excesso... e espero sinceramente que nada mais apareça.
Esta síndrome tem a característica de ser mais facilmente controlada se ao tratamento hormonal se associar a perda de peso, ainda que pelas alterações hormonais que provoca, torne essa perda de peso mais difícil. Estima-se que 50% das mulheres com esta patologia sejam obesas, existindo uma relação clara entre estas duas condições patológicas.
No meu caso concreto, quando soube que tinha este problema o médico alertou-me para a grande probabilidade de poder ter de ser sujeita a cirurgia se não conseguissem controlar o crescimento dos meus ovários, e também para a probabilidade de infertilidade caso adiasseadiassey a maternidade muito além do que se considera a barreira ideal.
Quem me conhece sabe que eu não sou a pessoa mais maternal do mundo, na realidade nunca me senti muito destinada a esse feito e nunca foi um dos meus grandes desejos a realizar na vida, contudo, no momento em que soube, pensei como tudo isto poderia condicionar a minha vida e a da pessoa que escolhe estar comigo.
Ser mãe é uma coisa que não desejo agora, mas que poderei vir a desejar quando for tarde demais, Assim, nesta fase com 31 anos, tomei a decisão (que apesar de acessível é ainda não muito generalizada) de optar pela criopreservação dos ovócitos, ou seja, vou congelar os meus óvulos para que se e quando me apeteça, possa ser mãe.
Ser mãe é uma coisa que não desejo agora, mas que poderei vir a desejar quando for tarde demais, Assim, nesta fase com 31 anos, tomei a decisão (que apesar de acessível é ainda não muito generalizada) de optar pela criopreservação dos ovócitos, ou seja, vou congelar os meus óvulos para que se e quando me apeteça, possa ser mãe.
Quero contudo realçar que num mundo que como mulheres nos impõe constantemente prazos e nos exige perfeição em todos os domínios da vida, esta decisão pessoalmente é o meu Grito de Ipiranga. Para a sociedade em geral esta é uma porta que a ciência abre no sentido de mulheres e homens se aproximarem nos seus direitos.
A mim, que sou uma fã confessa do "Admirável Mundo Novo", vejo na acessibilidade destas técnicas a possibilidade de criar o meu "Admirável Mundo", à velocidade da minha vontade, decidindo eu por mim e pelo que quero para o meu futuro, ao ritmo que quero!!
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
"O amor é cego"
A sabedoria popular que diz "O amor é cedo" tem sido nos últimos anos corroborada pela ciência.
Afinal, a partir do momento em que se conseguiu estudar mais a fundo o cérebro, foi possível perceber que quando nos apaixonamos e iniciamos uma relação são libertados neurotransmissores que além de criarem uma ligação intensa "desligam" a região cerebral responsável pela apreciação crítica. Resumindo, tendemos a ver como mais atraentes as pessoas por quem nos apaixonamos, sendo o amor romântico muito semelhante do ponto de vista cerebral ao que acontece pela mãe e pelo bebé, uma vez que alguns dos neurotransmissores envolvidos no processo são semelhantes. A oxitocina, um dos elementos chave nestes dois tipos de amor, é libertada pela mãe quando se torna mãe e é também libertada durante as relações sexuais.
Ora isto faz com que ao apaixonarmo-nos a pessoa seja perfeita, idealizada e a mais bela aos nossos olhos, ainda que o não fosse antes de alguns outros neurotransmissores serem libertados. Um outro químico responsável pelos sintomas do estar apaixonado é a dopamina, a mesma que é responsável pela sensação de bem estar e recompensa em qualquer adição. Assim, o cérebro apaixonado é também ele um cérebro adicto, mas no qual a droga é a pessoa no foco da atenção.
Na realidade quando as relações acontecem entre pessoas que se conhecem de longa data o grau de atractividade das pessoas costuma não ser semelhante, por oposição a quando as relações acontecem entre pessoas que se conhecem e começam a relacionar-se logo, em que o grau de atracção tende a ser semelhante.
Pessoalmente, eu sempre tive inclinação por pessoas incrivelmente pouco atraentes segundo os padrões sociais habituais (como pode ser confirmado por todos os meus familiares e amigos), sendo o meu presente relacionamento um outlier nesta regra, em todos os aspectos do que eu considerava requisito para me apaixonar e estabelecer um relacionamento.
Hoje a ler um blog brasileiro que dá exemplos de situações de bondade e amor no mundo deparei-me com a notícia dum casal em que um é um desportista atlético e o outro é um homem mais velho e muito gordo. Identifiquei-me muitíssimo com esta notícia, não pelo modo como nós nos vemos dentro do casal, mas pelo modo como a sociedade nos vê e comenta. Esta é uma notícia sobre a beleza deste orgulho numa união díspar do ponto de vista de atractividade física.
http://razoesparaacreditar.com/amor/jogador-de-rugby-sai-do-armario-e-quebra-padroes-de-casais-gays/
Porque, quando numa relação, os defeitos não são o que nos afasta ou aproxima do outro, é a capacidade de relevar esses defeitos. E aquilo que consideramos defeito pode nem o ser para o outro, que nos vê através da lente do amor.
São certamente uma inspiração para todos nós, e muito mais para as pessoas que acham que só porque não têm o "aspecto certo" estão condenadas a uma vida de desamor, isso não é verdade!! Não devemos deixar que as pessoas nos façam sentir que merecemos menos do que merecemos, só porque vimos num molde não formatado do convencionalmente aceite.
Deixo aqui uma foto minha com o loiro, o rapaz que mesmo sendo bonito me fez apaixonar.
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Os gordos e o desporto
"É uma verdade universalmente conhecida que" os gordos odeiam o desporto!
Na realidade acho que esta é uma das falsas percepções acerca dos gordos. Estamos habituados a programas de tv em que colocam os gordos a fazer desporto, como se o desporto fosse a derradeira ferramenta para se emagrecer.
Muitos estudos dizem o contrário, pois embora seja necessário incluir actividade física no dia a dia para manutenção de um peso saudável, a verdade é que o aumento de actividade física está muitas vezes associado a um agravamento dos hábitos alimentares, podendo não ser uma mais valia na perda de peso de pessoas que não controlem a ingestão de alimentos.
O facto de se ser obeso também não quer dizer que não se faça desporto. Eu por exemplo desde criança experimentei muitos desportos e gosto. Ao longo da vida joguei futebol, fiz dança, natação, ginásio, karaté, ainda que as caminhadas sejam sem dúvida a forma de desporto mais recorrente.
Para mim o desporto não é algo para o físico, vejo-o sobretudo como algo para a mente. Sinto-me mais feliz e relaxada quando pratico e sinto-me irritada quando não o faço. Mantenho sempre algum nível de actividade física na minha vida quando me é possível e entendo o papel crucial que isso tem no meu bem estar.
Hoje li um artigo sobre duas atletas gordas nos jogos olímpicos e em como elas são no fundo importantes na alteração dos padrões de aceitação corporal, pois também elas são representantes da classe dos atletas.
Ainda neste tema houve também um nadador vaiado por estar com um físico desajustado daquilo que consideramos um "físico de desportista". Como se não bastasse o ter-se qualificado para estar ali, mas além de ser desportista, tem de se parecer desportista.
Os desportos moldam os corpos das pessoas que os praticam de forma diferente, no fundo não há um corpo de desportista, isso é uma concepção errada, há vários corpos muitos diferentes consoante o desporto que se pratica e atendendo a outras condicionantes.
Pessoalmente admiro muito os desportistas profissionais de todas as formas e feitios, são modelos a seguir, pela dedicação e espírito de sacrifício que são necessários nesse tipo de carreira.
E deixo-vos com uma piada...
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Ser gorda não é ser...
Para a maioria das pessoas que não são gordas, ser-se gorda equivale a uma das maiores razões de pânico. Li há algum tempo num estudo psicológico feito, que as mulheres preferiam relacionar-se com homens assassinos que com homens gordos, e que perder um familiar é um stress equivalente a ganhar 10 kg.
Penso que para a maioria das pessoas isto acontece por todas as outras coisas que erradamente ou apenas limitadamente se associa ao ser-se gordo, acredito que a maioria dos gordos não pensa assim.
Eu já perdi e ganhei peso muitas vezes, e no entanto associo sempre as épocas em que estive mais magra a tempos profundamente infelizes na minha vida; no meu caso em particular, estar mais magra (ou menos gorda) não me faz mais feliz. Ainda que faça aos que me rodeiam! Na realidade a única coisa que me faz mais feliz quando estou com menos peso, é não ter de aturar pessoas a chatear-me e a dizer-me constantemente que:" estou muito gorda e devia fazer dieta ou alguma catástrofe acontecerá para me punir pelo meu desagradável tamanho"... ler isto com um sarcasmo realista, pois coisas semelhantes são ditas aos gordos diariamente.
Ainda assim, há um prazer de transgressão que é associada ao excesso de peso e penso ser comum a pessoas com outros vícios. O ser-se gordo por ser mais notado dá-nos isso de forma mais visual. Posso comparar, por exemplo, com a questão das modificações corporais, por um lado é preciso coragem para que no mundo nos sintamos lindos tendo um grande excesso de peso, por outro é uma coisa natural. Muitas vezes esta característica torna-nos diferentes de todas as pessoas de uma sala tornando-nos mais reconhecíveis e faz com que tenhamos de assumir que embora seja algo que nos identifica é nosso e não somos menos ou mais por isso. Torna-se uma característica identitária.
Hoje li um artigo duma blogger que reflecte um pouco sobre muitos dos conceitos que se associam aos gordos e que na realidade não são verdade, tal como ser-se gordo é ser-se: desleixado, ambicioso, celibatário, feio... Entre tantos outros... E apresento-o aqui, vale a pena ler.
Queria apenas dizer mais que, as pessoas gordas são pessoas como todas as outras, ser-se gordo é só uma característica. A partir de um certo limiar, negativa? Sim, mas de forma nenhuma como qualquer pessoa que nunca tenha sido gorda pense!
Na realidade o mais negativo de se ser gordo é o preconceito que os gordos sofrem todos os dias.
http://www.bustle.com/articles/152823-11-things-fat-is-not?utm_source=facebook&utm_medium=owned&utm_campaign=bustle
Esta sou eu... gorda e sem pedir desculpas ao mundo por isso! :D
Penso que para a maioria das pessoas isto acontece por todas as outras coisas que erradamente ou apenas limitadamente se associa ao ser-se gordo, acredito que a maioria dos gordos não pensa assim.
Eu já perdi e ganhei peso muitas vezes, e no entanto associo sempre as épocas em que estive mais magra a tempos profundamente infelizes na minha vida; no meu caso em particular, estar mais magra (ou menos gorda) não me faz mais feliz. Ainda que faça aos que me rodeiam! Na realidade a única coisa que me faz mais feliz quando estou com menos peso, é não ter de aturar pessoas a chatear-me e a dizer-me constantemente que:" estou muito gorda e devia fazer dieta ou alguma catástrofe acontecerá para me punir pelo meu desagradável tamanho"... ler isto com um sarcasmo realista, pois coisas semelhantes são ditas aos gordos diariamente.
Ainda assim, há um prazer de transgressão que é associada ao excesso de peso e penso ser comum a pessoas com outros vícios. O ser-se gordo por ser mais notado dá-nos isso de forma mais visual. Posso comparar, por exemplo, com a questão das modificações corporais, por um lado é preciso coragem para que no mundo nos sintamos lindos tendo um grande excesso de peso, por outro é uma coisa natural. Muitas vezes esta característica torna-nos diferentes de todas as pessoas de uma sala tornando-nos mais reconhecíveis e faz com que tenhamos de assumir que embora seja algo que nos identifica é nosso e não somos menos ou mais por isso. Torna-se uma característica identitária.
Hoje li um artigo duma blogger que reflecte um pouco sobre muitos dos conceitos que se associam aos gordos e que na realidade não são verdade, tal como ser-se gordo é ser-se: desleixado, ambicioso, celibatário, feio... Entre tantos outros... E apresento-o aqui, vale a pena ler.
Queria apenas dizer mais que, as pessoas gordas são pessoas como todas as outras, ser-se gordo é só uma característica. A partir de um certo limiar, negativa? Sim, mas de forma nenhuma como qualquer pessoa que nunca tenha sido gorda pense!
Na realidade o mais negativo de se ser gordo é o preconceito que os gordos sofrem todos os dias.
http://www.bustle.com/articles/152823-11-things-fat-is-not?utm_source=facebook&utm_medium=owned&utm_campaign=bustle
Esta sou eu... gorda e sem pedir desculpas ao mundo por isso! :D
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