quinta-feira, 11 de agosto de 2022

How happy I was if I could forget

 

How happy I was if I could forget


How happy I was if I could forget
To remember how sad I am
Would be an easy adversity
But the recollecting of Bloom

Keeps making November difficult
Till I who was almost bold
Lose my way like a little Child
And perish of the cold.






segunda-feira, 25 de julho de 2022

De novo me hei-de levantar!

As crianças acham sempre que os adultos sabem tudo! Ainda que qualquer adulto saiba que certezas como as que teve na infância nunca terá novamente. Na infância achamos que temos ainda tanta coisa para aprender, perguntamos sem parar o porquê das coisas, temos uma curiosidade insaciável que desnorteia e cansa os que nos rodeiam, mas que mostra também um espírito esponjoso, expansivo e aberto como não voltaremos a experimentar na vida.

Na infância, sabemos quem é a nossa pessoa preferida, o nosso melhor amigo, que o rapaz que nos puxa o cabelo gosta de nós, e que a miúda que não nos deixou saltar ao elástico é má e não é nossa amiga...

Na infância não há cinzentos! Há preto ou branco! Certo ou errado! Sabemos quando somos nós que fizemos asneiras e quase sempre como as evitar... ironicamente não nos percebemos que temos mais certezas que os crescidos. A acrescentar isto os crescidos mentem muito, por isso mesmo que se pergunte o que se quer saber nunca se sabe se a resposta é de facto a verdade...

Neste mundo tão mais complexo dou-me por perdida. Sinto sempre que nasci velha, que sabia muito mais o que queria até aos 30 do que depois dos 30. 

Os 30, aquela marca imaginária na qual as pessoas no início dos 20 pensam que têm de ter a vida organizada... Pois bem chegaram e nada mudou, não me lembro da transição, mas algures no avançar dos 30 a vida veio, coisas muito boas e muito más e dei comigo a perder o chão, as certezas, e de momento mesmo o rumo.

Para outra pessoa talvez isto não fosse um problema, mas para a maniacazinha do controlo que vive em mim não saber o que faço, como faço, o que escolher, e a vida e futuro que quero ter é francamente  uma catástrofe. 

Voltei a escrever por isso; sempre me ajudou a organizar os pensamentos, ainda que francamente não tenha a certeza se será de alguma ajuda no momento em que me encontro para mim ou para alguém que leia isto. 

A única coisa de que posso servir é de exemplo para alguém que aos 37 não tem  como certo quase nada na vida.

O doutoramento atrasou, a menos de 9 meses da data final encontro-me à espera da base de dados que preciso para terminar (não está nas minhas mãos e já espero há cerca de dois anos por esta base de dados).

O meu casamento tem andado pelas ruas da amargura ao ponto de termos decidido desistir há dois meses, de momento no meio de negociações para ver o que decidiremos mesmo, é ainda uma incógnita em que caminho seguiremos e se conseguimos um futuro juntos como optimisticamente decidimos quando nos decidimos casar...

 (Um aparte, mas as únicas pessoas que vejo venerar a ideia de casamento são os meus amigos que ainda não o experimentaram, e se encontram agora na ideia de iniciar essa aventura,  parece pessimista, mas fora do facebook no sítio onde as relações são reais em vez de kodak tudo dá muito mais trabalho e parece muito mais destinado a trazer problemas do que algum dia anteviríamos).

A minha saúde anda miserável e tudo o anterior fez-me recentemente desenvolver crises de ansiedade que terei de encontrar uma forma de resolver (provavelmente psicólogo e medicação).

Aos 37 vejo a vida para a qual lutei tanto e que tanto planeei deslizar como se de um aluimento de terrenos numa enxurrada se tratasse... E qual é a solução para isto? Que certezas tenho?

Muito poucas... mas em sumário poderia dizer que tudo o que desce sobe e vice versa, o que quer dizer que no fim de tudo hei-de encontrar maneira de sobreviver a isto tudo, de sarar as feridas e de conhecer de novo a pessoa que toda esta pressão forjará. O meu novo Eu, não necessariamente melhor ou piro, só diferente... No final de mais esta grande queda de novo me hei-de levantar!




quarta-feira, 20 de julho de 2022

Asas ou raízes?

Senti hoje uma vontade renovada de escrever, não só de escrever para mim como muitas vezes escrevo mas antes com coragem de voltar a partilhar estes pensamentos negros, tortuosos, estranhos ou simplesmente idiotas que tão frequentemente me assolam e que são um pouco o fio condutor da minha escrita.

Dei-me conta que a minha última publicação foi há mais de um ano e que foi algo muito negro ao que se seguiu um período de reclusão nesse campo.
Também hoje não escrevo com o espírito mais livre possível, mas antes como se uma nuvem rodeasse os meus pensamentos turvando-os, não me deixando ver se o que escolhi está certo e que escolha fazer no futuro e mesmo no imediato.

Falar com duas amigas que se encontram também em momentos difíceis fez-me refletir sobre estas coisas, e senti este desejo de partilhar, de ouvir outros, de saber se sou só eu, ou se de alguma forma é a condição humana que se espelha no meu pensamento.

O Doutoramento é um fardo pesado nas cabeças de quase toda a gente que conheço, para mim não tem sido exceção... Mas às vezes penso se não será antes a vida. 
 Se me tivessem perguntado aos 30 se ia mudar, eu juraria a pés juntos que não, que seria eu sempre mais ou menos a mesma.

Pois passados 7 anos sinto-me tão diferente que se alguém que não me vê desde os 30 me conhecesse novamente  provavelmente fora o exterior não me reconheceria.
Sempre fui uma pessoa de raízes, do género em que a casa e o passado tem a maior importância, fui uma adolescente prematuramente idosa. Para agora me ver na meia idade a pensar mais em me tornar uma pessoa com asas. Alguém virado mais para o Futuro que para o passado.

O tempo com a sua passagem tem a magia de nos fazer ver que tudo é mutável, que o que hoje nos causa lágrimas será em alguns anos um motivo de riso, que aquilo que nos orgulha de momento será algo que em algum tempo veremos com arrependimento, a lista continua de forma exaustiva.... A verdade é que todos fazemos as nossas escolhas pelo melhor, mas nem o tempo nos diz se as escolhas que fizemos foram as mais acertadas... Num livro da Alice vieira que li há muitos anos havia uma frase a dizer que o mundo gira à volta dos "ses". E é um pouco isto. Era tão mais fácil SE os SES fossem acertos... Como SE saber SE o que SE escolhe é de facto o correcto, SE em última instância perseguindo o que queremos não perdemos o que temos. Ou SE escolhendo o seguro, as raízes não perdemos uma vida muito mais cheia plena ...

Mas mudei e pouco posso fazer em relação a isso... Sou Hoje muito mais uma pessoa com asas que  com raízes...





terça-feira, 25 de maio de 2021

Escuridão

 

A outra que nao sou

 

Podia ter sido outra,

Que não sou!

 

E olho agora para o passado,

Nesta casca esfarrapada.

 

Para quem podia eu ter sido e não fui,

Para a palavra doce que não disse,

Para a mão que não estendi,

Para o sorriso que escolhi morrer antes da face,

Para todas as vezes em que escolhendo mostrar a alma a escondi!

 

Para todas as vezes que covardemente fugi,

Para o  abjecto que fui quando podia ter sido grande,

Para a mulher rato que habita em mim,

Para a cobra que sou a rastejar

Para a Fiona que no espelho ri!

 

Como queria eu  ser melhor...


Despir me!


Deste mal que me arrasta,

Deste ego que me sufoca,

Deste vicio que me aprisiona..

 

Como queria ser a flor que desabrocha,

O Cisne que cresce branco,

A lagarta que em borboleta se transforma.

 

Mas este passado repetido

Deu  parto ao   presente...

Um presente em que vivo no que podia ter sido,

Mas nao fui!

 

Eva Maria Valerio de Sousa








 

 

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Como não apoiar a escravatura moderna

Eu hoje li um artigo sobre as marcas que nos dias de hoje foram associadas a escravatura moderna, isto ouve-se de tempos a tempos mais ligado ao mundo da moda e por isso eu tenho tido nos últimos anos uma abordagem diferente à forma como compro coisas.

Sendo que já há 3 anos compro cerca de 80% da minha roupa em segunda mão.
Faço isto por ser menos poluente, por estas questões ligadas ao trabalho infantil e muitas vezes tem ainda a vantagem de ser mais barato se não for em lojas especializadamente vintage.

As excepções que abro costumam ser na roupa interior, nas coisas do casamento (se bem que comprei um véu em segunda mão e os meus sapatos também foram comprados numa loja da caridade apesar de serem novos) e muitas vezes em calças porque é difícil encontrar o que me sirva.
Ligando isto aos acontecimentos do momento, é horrível que o nosso país tenha contribuído tanto para a escravidão, contudo se pelo passado não podemos fazer muito, podemos tentar no presente, e a maioria das medidas são simples e não dolorosas, podemos começar por não suportar muitas das marcas que assentam na escravidão e também na exploração de pessoas em países asiáticos.

Formas de fazer isto:

-procurar marcas alternativas a estas às conhecidamente ligadas a trabalho escravo
-Nas roupas certificarmo -nos do país de origem ver no made in (quando feito na Europa obedece às normas, e nem sempre é mais caro a C&A é uma das marcas que sendo barata aposta muito em ter produção Europeia ainda hoje)
-Comprar segunda mão, eu sei que muita gente acha isto nojento mas se formos sinceros vemos que a maioria das roupas que trazemos de lojas foram já elas experimentadas, por isso fazer a roupa ter um ciclo maior de comprar/doar/vender é uma boa ideia, protege o planeta e as pessoas,
-Quando possível apostar em produtos de comércio justo, por exemplo no Lidl um dos açúcares é de comércio justo, nestes é garantido que uma grande parte do dinheiro vai para o produtor que não é explorado com margens irrisórias
-Apostar em marcas mais pequenas de onde se sabe a origem.
-Eu adoro roupa e acaba por ser a área onde é mais fácil ser divertido ter estes cuidados. Deixo-vos com fotografias minhas com modelitos em que quase tudo foi comprado em segunda mão a maioria delas na OXFAM que apoia o desenvolvimento em outros países:

O Top, ocasaco de crochet, os brincos, as calças, o relógio e sapatos foram todos comprados em 2ª mão.
Excepção a carteira que tenho há algum tempo já e a roupa interior que compro sempre nova.


O top foi comprado em 2ª mão.



A carteira veio duma loja em 2ª mão.



Vestido e sapatos comprados em 2ª mão.


Vestido e sandálias comprados em 2ª mão.



quarta-feira, 3 de junho de 2020

Acerca da imagem negra na luta contra o racismo


O que vou aqui escrever vai ofender muita gente, vou provavelmente ser insultada e catalogada como racista sem o ser, mas os meus pensamento de ontem foram estes:

Fazer-se do racismo uma coisa esquerda direita, está errado, deve ser um problema a resolver globalmente e todos os partidos que apoiem abertamente iniciativas racistas devem ser chamados à responsabilidade pelas coisas que dizem, acredito que muitas pessoas de direita não serão racistas; (como sou de esquerda posso dizer isto).

Achar-se que uma imagem preta de perfil mostra o sentimento e sentir se um dever cumprido, não mostra (não sou contra a imagem, mas não a coloquei por incomodou-me ver pessoas abertamente racistas a fazerem-no, muitas seriam as mesmas que pediriam para libertar o agente português que matou a criança cigana, ou que pediriam uma lei específica anti-ciganos, ou que falam mal das pessoas chineses e negras abertamente, chamam monhés aos sul asiáticos... tudo isto é racismo) (sei que não são todos os casos das pessoas que aderiram e que muitos o fizeram com a melhor intenção mas não pude deixar de sentir isto).

O melhor seria talvez que em cada situação de racismo que acontece à nossa frente a evitemos ou pelo menos falemos contra ela ( a vida é no mundo real), se virmos alguém insultar alguém pela cor, religião formato dos olhos, origem geográfica que entendamos que são pessoas, todos somos e todos deveríamos ter o mesmo valor para a sociedade. Muitos dos casos de racismo mais evidentes que vi foi na integração dos meus antigos estudantes que chegavam de África e em como eles tinham a vida mais difícil do que os outros miúdos e às vezes ainda eram um pouco ostracizados de alguns grupos. E em como muitas vezes isto era quase visto como natural e me incomodava por isso.

A morte de Georg Floyd foi trágica, ninguém discute isso, mas são igualmente trágicas as mortes que lhe seguiram em protestos violentos. Condeno veemente o racismo, a xenofobia, a discriminação com base na religião, mas não consigo estar de acordo com a quantidade de polícias mortos nas manifestações, nem com o vandalismo que está a acontecer por isto. Isto não é um combate ao racismo e muito provavelmente vai ainda polarizar mais a população americana, que já é polarizada o suficiente para ter eleito uma pessoa como o Trump a presidente.

A sara Sampaio basicamente acabou com a carreira duma jovem actriz só porque ela achou que apesar de ser anti-racismo a imagem preta não é a solução e não aderiu, eu pensei o mesmo e a dada altura entendi que a imagem, mais do que uma luta contra o racismo tornou-se numa obrigatoriedade para a pessoa se identificar como não racista
Acho que nos devíamos todos esforçar mais por erradicar isto no mundo real, em vez de sentir que por partilhar algo na net temos o dever cumprido, contra mim falo, também partilho estas coisas na net até à exaustão mas estou a mudar a forma de ver o problema.

Deixo aqui a notícia da Sara Sampaio que me revoltou. O racismo é mau e a censura num caso em que não havia nenhuma manifestação de racismo que acaba com a carreira da miúda também.


sexta-feira, 24 de abril de 2020

5 anos com o Loiro...

No próximo domingo dia 26 de Abril fará 5 anos que eu conheci o Loiro. Foi também num domingo, solarengo que passeámos NO Parque das Nações juntos pela primeira vez.

Ele meteu-se comigo na internet e combinámos encontrarmo-nos para nos ajudarmos mutuamente a aprender línguas. Eu queria aprender alemão, andava farta de tentar convencer as minhas amigas de se meterem num curso de alemão comigo sem sucesso, o Loiro queria melhorar o português.

Esta semana lemos juntos estas primeiras conversas que tivemos na internet. Ele guardou-as e enviou-mas. E foi engraçado ver como começámos a falar.

A minha primeira impressão quando o vi foi de que ele era muitíssimo atraente.  Logo de imediato tínhamos imensas coisas em comum, ambos falamos múltiplas línguas, o Nick estudou Engenharia Biomédica e eu estava a fazer o doutoramento nessa área. Ambos adoramos viajar mas mais viagens de aventura que de praia, lemos imenso... De uma forma totalmente natural e amigável a conversa fluiu. Eu estava numa fase em que me sentia bem estando solteira, andava sempre a fazer coisas novas e diferentes com amigos meus e andava feliz, de modo que nunca pensei que passássemos além do ficarmos amigos.

Na segunda vez em que decidimos ir estudar juntos, fomos passear  na baixa  e ele perguntou-me se queria ir a um jardim que ele conhecia. Eu disse que sim. Fomos para o Jardim da quinta das conchas, sentámo-nos na relva e ele começou a mexer-me numa pulseira, sem dizer absolutamente nada, só a olhar para mim. Acho que provavelmente pela primeira vez na vida perdi as palavras. Saímos do Jardim já de mãos dadas.

Eu contei às minhas amigas que tinha começado esta relação mas que não esperava que durasse além do Verão. Ele parecia tão diferente do que eu sempre achei que seria o ideal para mim. 

Felizmente estava enganada. Logo no primeiro mês o Nick decidiu ler o Orgulho e Preconceito por ser um dos meus livros preferidos e isso fez-me ver um Homem que punha esforço em coisas que parecem parvas e pequenas mas que a mim me fazem feliz. Apaixonei-me pelo que havia para além do cabelo Loiro, dos olhos azuis, do corpo jeitoso...

 Eu ainda hoje acho que não temos a relação mais normal do mundo, mas acho também que são as nossas diferenças que nos fazem resultar como casal. Que é o facto de ambos sermos instáveis que nos ajuda a compreender o outro e a apoiá-lo nos seus sonhos e esperanças de uma forma que talvez outras pessoas não entendam, que o facto de eu ser muito extrovertida e ele muito introvertido trazem um certo balanço e que moderam o melhor e o pior de cada um de nós.

Uma das provas que nos fez mais fortes enquanto casal foi o facto de eu decidir  vir para o UK, toda a gente  nos disse que nos separaríamos, as pessoas diziam me abertamente  que eu conheceria novas pessoas e que não ia resultar. Que nós não éramos um casal muito estável e que as tentações nos separariam.

Se há tentações ao estar longe... Há! Conheci imensas pessoas interessantes.  Mas como em tudo na vida também há tentações quando se está perto. O que determina se os casais permanecem juntos ou se separam não é a ausência de dificuldades. É antes o escolhermo-nos um ao outro todos os dias, especialmente quando as coisas não são fáceis. As relações não resultam pela paixão. A paixão vai e vem e tem altos e baixos. E quando se segue unicamente a paixão está-se destinado a que fracasse quando esta acabar. As relações resultam  em função do comprometimento. Resultam se ambas pessoas decidirem que é para resultar e se empenharem verdadeiramente nisso. Nisto eu sou muito tradicional, acredito em tentar fazer tudo resultar antes de desistir. Às vezes funciona contra outras vezes a favor.

Neste caso funcionou a favor. Não sei o que o futuro nos reserva, mas desejo muito mais do que os próximos 5 juntos. Neste momento mal posso esperar para poder voltar a estar com ele. 

Eu tenho uma personalidade independente e combativa, mas mesmo eu preciso dum porto onde me abrigar nas tempestades, e descobri no  Nick o meu porto.







quinta-feira, 23 de abril de 2020

Não facebook, eu não quero o rabo maior!!

Esta semana por alguma razão que não consigo entender tenho tido imensos anúncios relacionados com produtos para aumentar o rabo. Isto deixou-me a achar que deve haver algum erro no algoritmo que me dirigiu estes anúncios mas também me deixou a pensar na forma como estes padrões de beleza continuam, mesmo agora na Era do "BodyPositive" a influenciar a maneira como nós mulheres nos vemos e a afectar a nossa auto-estima.

Eu adoro roupas, maquilhagem e um pouco todas essas coisas de transformação, mas a verdade é que de uma forma geral me sinto bem com o meu corpo. Talvez por isto irrito-me com a publicidade dirigida às mulheres tenha como objectivo fazê-las sentir inseguras.

Não conheço mulher nenhuma que durante a sua vida em algum ponto não tenha sentido que tinha o rabo grande demais, nos últimos anos tudo mudou. Parece que de tempos a tempos, temos de transformar tudo e ir na direcção exactamente oposta. Celebrar um rabo anormalmente grande não é um relaxar dos padrões de beleza, é só mais outro padrão para fazer as mulheres sentirem-se inadequadas. E isto que me faz sentir mal com todas estas correntes. 

 Demorei muito tempo a fazer as pazes com o meu corpo, porque sempre desgostei o facto de ter o peito assimétrico. Uma das minhas mamas é consideravelmente maior que a outra. O meu ex ajudou me nisto porque costumava gozar comigo a dizer " é fixe, é como estar na cama com duas gajas diferentes". Esta piada idiota  ajudou-me a aceitar-me a mim mesma, acho que era o objectivo da piada e resultou.

 O  Loiro  foi também essencial para eu me apaixonar por mim mesma, sempre me fez sentir que me adora por inteiro. Desde chamar-me para dançar nus no quarto quando acordamos, até ao facto de achar que o facto de eu ser suave e fofinha é a melhor sensação no mundo.

Às vezes precisamos que os outros se apaixonem por nós antes de nos apaixonarmos por nós mesmos. E por isso é que a aceitação é tão importante. O atacar os gordos, ou os magros, ou os que por qualquer razão cabem fora do padrão não faz as pessoas mudarem, mas faz grande parte delas desenvolverem pensamentos e sentimentos tóxicos acerca de si mesmas. 

 Ainda ontem vi um documentário que me chocou de crianças na Mauritânia que são alimentadas à força para se casarem na adolescência porque os homens dizem que fazer sexo com mulheres gordas é mais confortável. Uma das raparigas dizia que quando fosse gorda seria bonita. No Ocidente quantas mulheres não pensam o contrário... No fundo o problema é exactamente o mesmo.

Seja no ocidente "desenvolvido" em que as mulheres têm de ser magras com rabo e mamas. Seja em África onde se querem mais cheiinhas...Que sentido faz esta auto-torturar em função dum ideal que muda tanta vez que só prova que não é ideal de todo? Até quando?

Façam pela saúde, façam por ser sentirem bonitas, mas não deixem que ninguém vos faça sentir que há algo errado com o ter características que fogem às revistas... não há!!!

Em relação à minha perda de peso... tenho continuado mas desde a Páscoa mais desleixada. Tenho como objectivo chegar ao 1 de Junho com 107 kg, o que equivaleria a menos 10 kg desde Janeiro. Vamos lá ver se consigo...

Deixo-vos o documentário é impressionante.








quinta-feira, 9 de abril de 2020

A importância da mediocridade

As pessoas faladoras são invariavelmente vistas como menos sensatas que as pessoas mais caladas.

 Talvez por isso eu tenha desde há muito tempo a ideia que a impressão que as pessoas têm de mim quando não me conhecem de perto é que eu não fiquei a dever particularmente à inteligência. 
Tenho uma natureza calorosa, brincalhona e honesta que me separa da ideia que as pessoas têm de como as pessoas inteligentes e educadas se devem portar. 

Ainda assim sempre pensei em mim como uma pessoa inteligente e sempre que tenho dificuldades em aprender algo isso afecta grandemente a minha identidade e auto-estima, muito mais do que por exemplo o meu aspecto físico. 

 Talvez por isso é-me sempre difícil quando vejo que há qualquer tema ou disciplina que é mesmo difícil para mim. Estou habituada talvez a estudar temas e a a aprender coisas para os quais tenho uma afinidade natural ou pelo menos um gosto.

 A minha tese de Doutoramento neste sentido está a uma grande luta e tem reduzido o meu conceito de mim mesma a mínimos recorde. 

A possibilidade real de não conseguir concluir bem algo em que investi tanto esforço e sacrifício... especialmente sacrifício, tem me feito andar em baixo, devia ter investido numa área em que tivesse mais conhecimento do que aquela a que vim parar. 

Ainda assim às vezes há respostas que nos aparecem para as perguntas que não temos a coragem de fazer a nós mesmos. tenho nos últimos dias visto palestras de Malcolm Gladwell, (o autor de outliers e apologista do esforço consistente como mais importante que a genialidade)  adoro os livros dele mas como qualquer pessoa que lê um livro às vezes passado algum tempo esquecemo nos dos ensinamentos básicos. 

Numa das palestras que vi hoje ele fala como muitas vezes paciência e persistência são mais importantes que ser genial e como nos sentimos desadequados por nos compararmos com as pessoas que primariamente nos rodeiam em vez de com o global e de como isso nos pode afectar ao ponto de nos sentirmos tão incapazes que desistimos de coisas onde a persistência e a paciência nos levariam.

Isto era o que eu precisava de ouvir hoje. Eu sou das pessoas todas que conheço aqui, a que está a fazer um doutoramento mais distante da área e conhecimentos originais e também a que teve mais entraves com autorizações e atrasos na tese. Foi tudo uma combinação de problemas aos quais se soma a minha ignorância no campo da computação, a qual tenho tentado vencer nos dois últimos meses mas de forma muito deficiente.

 É difícil, mas talvez o caminho para conseguir fazer isto passe por me habituar a este sentimento de mediocridade em algo e de e ter orgulho nisso, pensar que esta mediocridade é um sinal de que estou a aprender algo novo e não de que deva desistir. Preciso de me lembrar que ninguém nasce ensinado e persistir, mesmo quando todas as células no meu corpo me dizem que não sou capaz porque sou mesmo má nisto, é o único caminho que posso contemplar. Ser teimosa nisto como sou no resto da minha vida.
A verdade é que sou má, mas tenho de pelo menos esforçar me ao máximo e tentar. Talvez nunca saia de ser má, mas não pode ser o desistir a vencer. O que digo a mim mesma é que posso falhar, mas não desistir... nunca. Eé com este  mantra  que me tem empurrado na vida nas alturas mais difíceis que conto.

Com isto no pensamento, dei comigo a pensar e lembrar-me de duas situações particulares em que isto aconteceu, uma foi na  primeira semana no meu curso eu não conseguia perceber como se dizia tecnécio, e apesar dos altos e baixo acabei por concluir a licenciatura com sucesso e de posteriormente passar 10 anos da minha vida a ensinar a novos estudantes o que o tecnécio era...

A segunda foi quando chumbei a estatística na frequência, e tive de ir a exame, os únicos exames que fiz porque chumbei e não porque decidi ir a exame foram precisamente a estatística. Mais tarde no mestrado o professor que tinha elogiou tanto a minha intuição em estatística que eu acabei por gostar imenso, aprender e aplicar em imensos projectos ao longo da vida.

Às vezes precisamos de coisas que nos relembrem que não ser bom em tudo no início é o normal, que podemos ter falta de talento e gosto em alguma coisa e ainda assim acabar a aprendê-la. Que o importante nestes casos é persistir, mesmo mal, trabalhar muito até que um dia acabe por ser o suficiente. Peço a Deus a força para persistir...

Aconselho a que assistam  o vídeo é um discurso fantástico para motivação de espíritos esmorecidos como o meu e um pouco o de todos nós nesta fase tão difícil.

Já agora Boa Páscoa!


Ponho esta foto porque foi tirada nas galerias romanas debaixo da cidade de Lisboa, ao fim de eu ter aguentado 7 horas na fila, num dos poucos dias no ano em que abre. 





segunda-feira, 30 de março de 2020

Dieta em tempo de isolamento

Os primeiros três meses do ano passaram e pela primeira vez em algum tempo estou a conseguir manter a resolução de ter uma alimentação mais cuidada e fazer exercício para sair da obesidade mórbida e voltar a ter um tamanho e peso mais saudáveis.
Eu sou uma "comedora emocional" e tinha planeado o meu 2020 para ser um ano mais calmo, depois de em Fevereiro o psicólogo me dizer que eu estava de novo mais equilibrada e que provavelmente tinha força para resolver este meu problema. 

Entretanto veio esta pandemia e com devem imaginar não se perspectiva um ano livre de stress emocional e de grande equilíbrio mental. Tenho vivido há já duas semanas praticamente encerrada no meu quarto, onde tenho interrompido só para curtas idas ao supermercado uma vez por semana e para uma caminhada ocasional num parque quase deserto aqui ao perto de casa.

Tenho conseguido até agora portar-me bem, os meus 8kg perdidos nestes três meses, são a prova disso. Mas quero dizer neste post que não é tudo mérito meu. Em grande parte tenho sido apoiada pelas pessoas que me estão a seguir neste processo e sobretudo pela Joana Pacheco, que me está a incentivar a fazer mais exercício e que me fez um plano de treino adaptado que está a resultar em fazer-me ter uma vida mais activa.

Eu conheço a Joana quase há 10 anos, começou por ser estudante no curso onde eu leccionava, é há já alguns anos Técnica de Medicina Nuclear numa das instituições de Lisboa e teve ela própria uma jornada em que emagreceu cerca de 40 kg com reeducação alimentar e exercício. A Joana está a concluir a qualificação como personal trainer e tem como objectivo ajudar outros com grande excesso de peso nesta jornada. Como me está a ajudar a mim.

Eu devo dizer que não só pelo aspecto físico mas pelo emocional de ter alguém a ajudar-me que compreende as minhas limitações e dificuldades tendo eu um peso tão elevado, tem sido um apoio inestimável.

Eu já praticamente tinha desistido. Há uns anos andava a ser seguida na nutricionista com algum sucesso e saí porque apesar do meu sucesso ela me recomendou fazer cirurgia gástrica.
 Eu tinha na altura 89 kg, ou seja menos 20 que agora.  Eu sei que nada é tão eficaz como a cirurgia para pessoas que como eu têm complicações hormonais que potenciam a obesidade e fazê-lo sem esse apoio é uma tarefa difícil. Mas não me sinto com vontade de fazer algo que alterará o meu corpo de forma tão drástica. Nestes casos de pessoas como eu o mais importante às vezes para que tenhamos a força de continuar é encontrar pessoas que nos apoiem, que acreditem em nós e que nos dêem as ferramentas para que o possamos fazer com as limitações que temos. A Joana fez isso por mim e queria por isso prestar-lhe um grande agradecimento público.

O tempo dirá se vou conseguir atingir o meu objectivo de chegar aos 79 kg, e sair da obesidade. Por agora é o meu foco, e devagarinho com este apoio fantástico espero lá chegar.



Portugal de quarentena...

Nesta últimas semanas as nossas vidas foram mudadas de uma forma que parecia impossível antecipar apenas algumas semanas antes. 

Vivemos na Europa,  habituámo-nos a ouvir falar de catástrofes horríveis, de perdas de vidas, de terrorismo e guerras que matam, mutila e massacram milhares, de milhões que morrem à fome... mas apenas a muitos quilómetros de distância, como se de outro planeta se tratasse...
Comovemo-nos. Somos humanos... Mas passados dois minutos voltamos à nossa vida comum, em que muitas vezes temos uma casa confortável, uma família amorosa, segurança e saúde.

Agora é real, bateu à nossa porta também,  podemos ser os próximos e começamos a perceber o quão privilegiados temos sido.

Tenho de dizer também que não só não estou a viver no país como também não sou muito nacionalista, sou uma inconformada com as políticas nacionais e apesar e tender mais para a esquerda não me revejo integralmente em nenhum partido. Ainda assim não consigo disfarçar um grande gosto em ser portuguesa na altura das catástrofes. Porque é nestas alturas que o melhor de nós vem ao de cima, na minha opinião.

Não nos apercebemos sempre dos tesouros que temos, não somos tão bons como achamos em muitas coisas mas somos imensamente reais. 

E na catástrofe e infortúnio somos unidos como poucos outros são, somos dum tipo que toma responsabilidade e actua, detestamos seguir regras e leis no dia a dia mas somos os primeiros a condenar os que não as seguem quando isso põe em causa vidas e a situação é crítica.

Temos um calor humano que não se encontra em muitos sítios e que contrariamente a muitos sítios é real.
 Estou impressionada como o país está a gerir a situação, de forma mais rápida e eficaz que a maioria dos outros países. De forma perfeita? Não, mas não há perfeição na vida e às vezes é preciso relembrar isto. Houve humanidade a gerir esta situação, as pessoas foram postas antes da economia, os migrantes foram tomados como nossos e têm acesso ao nosso SNS, começou tudo a ser feito antes mesmo de haver mortes...

Portugal lembra-me um pouco a ideia que temos das casas pobres em que há sempre espaço para mais um e aquelas histórias do antigamente em que se dividiam as sardinhas porque não davam para todos.

Hoje a quarentena (eu sei que é distanciamento social mas gosto mais do termo quarentena) fez me ficar nostálgica e ter imensas saudades desse cantinho do mundo em que um estranho é um amigo, em que podemos falar com toda a gente, em que pessoas se cumprimentam mais facilmente, em que  beijocamos tudo o que mexe e expomos o nosso coração de humano para humano.

 Esperemos que no depois, quando tudo isto não for mais um perigo e quando não tivermos de aplicar medidas que tanto contrariam a nossa tendência natural voltemos ao nosso eu, não original mas melhor.

Talvez o melhor do português seja isso, seja o saber sentir e mostrar que sente.




terça-feira, 3 de março de 2020

5 anos e 30 quilos..

Comecei dieta mais ou menos no início de Janeiro, não uma dieta rígida mas apenas tentar controlar o que como, reduzir os doces, e tentar aumentar um pouco a minha actividade física.

Já perdi as contas de quantas vezes fiz e desfiz dietas. Não tenho grande esperança que desta vez vá funcionar. Mas desta vez decidi fazer por uma boa causa. Engravidar daqui a alguns anos.

Não é grande novidade que eu nunca quis ser mãe cedo, mas agora que tenho 35 começo a pensar nisso, para quando voltar a Portugal de forma mais definitiva.

Devido  aos meus ovários poliquísticos a minha probabilidade de conseguir engravidar naturalmente aos 37 ou 38 será muito reduzida estou a contar utilizar os ovócitos congelados. Segundo me informaram na clínica implantam os mesmos apenas em pessoas que não sejam obesas.
 Ver a minha irmã passar muito mais nova que eu serei passar pela gravidez com complicações, também pesou na minha decisão. Se ela tem tido problemas eu terei muito mais. Neste momento com este peso e tamanho uma gravidez não seria possível.

Eu não sou só obesa, obesa era eu há 5 anos com menos 30 quilogramas, eu neste momento estou na obesidade mórbida.

Tenho muitas razões para ter chegado aqui, tenho algumas de saúde física como o uso de antibióticos para continuadas infeções urinárias, problemas hormonais e lesões articulares que me causam dor e impedem muitas vezes um exercício físico mais activo e prolongado.

Mas penso que sou gorda sobretudo por razões emocionais. Eu uso a comida como um cobertor de segurança, quando estou aborrecida, sozinha, infeliz, stressada. Especialmente em épocas mais negativas. Tenho a agravar isto tudo o facto de não me fazer muita confusão ser gorda, penso que em muitas situações me serve bem porque me faz ser menos intimidante, o facto de eu ter um erro tão grande tão visível acaba por me dar coragem para não sentir pressão e fazer mais erros, e tentativas que às vezes acabam por trazer coisas boas. Resumindo, para mim ser gorda é libertador, é uma forma de não conformismo e quase sempre me sinto bem em qualquer tamanho.

Tenho  esta luta sempre na na cabeça.
Desta vez  decidi desta vez fazer tudo devagarinho.

A falar destas coisas com a minha sogra minha sogra disse -me há pouco tempo que estou o dobro desde a altura em que conheci o loiro, há 5 anos. Não foi com má intenção, foi mais para me ajudar,  e não estou o dobro mas estou 30 kg mais pesada que na altura. Hoje a ver fotos desse tempo (está quase no aniversário de nos termos conhecido, fiquei um bocado chocada). A verdade é que eu nunca sinto em mim a variação do peso, apesar de nas fotos ser bem notório. Também é por isso que decidi desta vez ir partilhando selfies de corpo inteiro, porque me ajuda a comprometer com o plano o facto de se falhar ser um falhanço público e porque me ajuda a ver a evolução que não sinto.

Assim deixo aqui as fotos de há 5 anos, como o objectivo a atingir até final de Dezembro deste ano. Vamos ver se consigo.












quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Conto-vos como foi...


Eu e o Nick decidimos casar mais a sério há cerca de dois anos e meio. Eu sempre tive a ideia de casar no meu dia de anos e desde aí começámos a planear tudo para que acontecesse neste passado dia 7 de Dezembro.

Este vai ser um post um pouco extenso, ainda sem fotografias oficiais e sem o video oficial que foi feito pela minha amiga Goska Lekan. Que partilharei mais tarde.

Foi difícil para mim organizar tudo no passado ano pois faz hoje 1 ano da morte do meu Pai, e ele andava super animado com isto. Quando aconteceu o Nick já tinha entregue os convites, toda a família dele já sabia desde o verão de 2018, mas a minha não. 

Ainda assim e apesar de termos grandes problema na organização o dia correu no geral muito bem. E isto é uma forma de dizer não podemos deixar que os entraves normais que acontecem arruínem os nossos sonhos.

Cerca de 15 dias antes da data de casamento ficámos a saber que um dos documentos do Nick não era válido, de modo que nos invalidou o casamento na igreja como tínhamos planeado. Conversámos com o Sr. Padre Jorge Carvalhal que generosamente nos realizou uma missa de bênção aos noivos que era muito importante para mim. 



Esta aconteceu na igreja de Vale de Madeiros, onde eu costumava ir desde criança com a minha avó.



Uma vez que tanto eu como o Nick perdemos o Pai em acidentes decidimos entrar juntos em todas as cerimónias.



A missa foi animada pelo grupo do Francisco Ferreira, ele toca violino e foi um ambiente maravilhoso. Adorei o facto de os termos escolhido para a cerimónia.





Depois disto realizámos uma breve parada no cemitério para eu deixar o ramo benzido no jazigo do meu Pai e seguimos para a cerimónia de casamento propriamente dita. 
Optámos por uma cerimónia celta, nunca nenhum de nós tinha ido a uma mas foi muito giro. Neste tipo de cerimónias a família faz parte e é envolvida para que o casal sinta que é acolhido no seio uma da outra e que não toma esta decisão sozinho. Afinal começamos a ser família e a fazer parte da família um do outro. Para a cerimonia celta removi o véu que tinha levado para a igreja e coloquei uma tiara de flores e uma capa do estilo druida, que acho que combinaram com o ambiente, ao mesmo tempo o musico Paulo Dias que animou toda a parte do hotel, colocou música celta. 



Toda esta parte da cerimónia celta e da Boda foi realizada no Hotel Urgeiriça, que nos cederam o espaço para a cerimónia assim que os contactei nesse sentido. O hotel no início pareceu-nos um pouco mais caro que os outros sítios, mas o facto de os convidados poderem ficar no mesmo sítio, o ambiente e as paisagens para fotografias, criaram um ambiente impagável. Eu adoro todo o estilo antigo e lá isto foi possível. O estilo do meu vestido e do fato do Nick, combinou com o ambiente e com um carro antigo que alugámos para o efeito ser mais completo.



A decoração ficou ao cargo da florista Cristina nas quatro esquinas que fez um trabalho fantástico, com arranjos simples, elegantes e bonitos como eu queria, quer a sala quer a igreja ficaram lindíssimas.


E o Bolo foi da Pastelaria salinas que fez exactamente o que eu queria. :)



Decidimos fazer algumas coisas diferentes, como atirar corações com o tecido dos namorados em vez do ramo e da liga para os solteiros, fizémos uma pequena apresentação e um jogo em que eu e o Nick tínhamos de adivinhar as mãos um do outro.
Usámos umas sparkles para os convidados acenderem no momento do bolo, e o Nick escolheu as músicas de forma pormenorizada para o efeito que queria. E treinámos a primeira dança vestidos de noivos os dois alguns dias antes. Não foi exactamente como a tradição manda mas para nós funcionou.









Para tudo ser maravilhoso contámos com as pessoas da nossa família. A minha irmã organizou uma despedida de solteira super gira, com o tema "A Eva no Paraíso" em que o Nick era a cobra loira e alemã. Os irmãos do Nick organizaram um espectáculo de fogo na rua que foi o momento alto da noite e se enquadrava perfeitamente no tema céltico. E recebemos presentes com surpresas muito giros, como uma foto constituída com minifotos.




Os primos do Nick trouxeram-nos um portal em coração para recortarmos e atravessarmos. Todos os convidados receberam e escreveram mensagens de amor.



O casamento será legal apenas em Janeiro, uma vez que esta semana estamos a resolver o documento em falta, mas no global correu tão bem que nem isto foi um problema grande.

Foi um casamento muito diferente, mais pequeno apenas com pessoas realmente próximas, em que em vez de seguirmos a tradição e a moda escolhemos o que nos é mais caro. Estou feliz por casar com o meu loiro.

No final tenho de ter uma nota de agradecimento para o fotógrafo, José Macedo Fotografia. Eu sou uma pessoa stressada, ora neste dia apesar de não estar nervosa por ir casar estava nervosa que com uma agenda tão preenchida as coisas atrasassem. A par com isso odiei a maquilhagem que me fizeram, apesar de nas fotografias não se notar ao vivo a minha cara ficou horrível e isso fez-me sentir mesmo mal e eu não queria tirar fotografias. Eu não costumo ser uma pessoa horrível, mas neste dia fui. Eu só queria não tirar fotos nenhumas oficiais, e despachar as sessões para ir para a parte de que mais gosto...estar com as pessoas. Apesar do meu mau humor o fotógrafo e a esposa foram super profissionais, ajudaram-me a não desistir e a fazer um mínimo de fotografias em que me sentisse bem. 

A todos um grande Bem Haja. Correu bem especialmente por causa de vocês.

domingo, 6 de outubro de 2019

Quando por vergonha deixamos de viver

A maior parte das pessoas que me conhece não faz ideia da quantidade de vezes em que deixei de fazer coisas por ansiedade de estar em situações sociais.

Há dias em que me sinto melhor e capaz de tudo e depois outros em que me sinto um total falhanço e incapaz de realizar até as tarefas mais simples.

No meu caso em particular o ser gorda por muito tempo limitou as coisas que eu fazia. Deixei de ir a sítios em que sabia que ia encontrar algumas pessoas porque tinha ganho peso, deixei o meu ex namorado ir em férias sem mim porque não me apetecia estar na praia em público, deixei de falar a pessoas por quem tinha um crush porque ou estava mais gorda ou não muito bem arranjada. Deixei de viver por não me sentir o suficiente! E sobretudo por muito tempo o ser gorda limitou a minha habilidade de ver beleza em mim. Corroeu-me, fez me sentir que esta versão "insuficiente e imperfeita" de mim mesma não merecia a felicidade das outras pessoas.

Tenho de dizer que tem melhorado muito, ainda tenho os meus dias menos bons.

Este sentimento tem estado muito vivo nos últimos tempos por causa da preparação do casamento, sinto-me uma noiva desadequada. O meu noivo preparou quase tudo, e temos tido imensos problemas para resolver de documentos.

Com isto tudo o Youtube sugeriu me um video da Lauren, é um canal que sigo há muito tempo e hoje o post dela foi para mim. Foi uma resposta a este sentimento.

A Lauren lembrou-me que o dia para viver é hoje, não é só quando se tiver menos 10 kg, quando se tiver acabado isto, ou atingido aquilo. Para ser honesta acho que somos os piores juízes de nós mesmos e que é difícil eliminar isto, mas às vezes o caminho está no desafiar a nossa própria noção de pequenez que é real só para nós.

O apoio das pessoas que nos rodeiam é importante, enquanto estive rodeada de pessoas que me faziam sentir errada senti-o de forma muito mais intensa que hoje. Talvez devamos começar por nos rodear de quem nos faz bem, mas mesmo bem. De quem gosta de nós a sério, de quem nos ama por inteiro... porque a frase é ao contrário, às vezes é mais fácil apaixonarmo-nos por nós mesmos através dos olhos dos outros que dos nossos próprios.

Deixo aqui o video dela, vale a pena ver.



quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Coragem ou burrice?

Um pouco por toda a minha vida a característica que possuo e que as pessoas  elogiam é a minha coragem.
Começou no 10º ano quando uma colega minha disse que me admirava  por usar roupas que ninguém usaria e não querer saber disso. E continuou um pouco pela minha tendência para ser um pouco uma idealista de causas perdidas, que acabam por me fazer por vezes confrontar a autoridade e conceitos estabelecidos, quando acredito que ocorrem injustiças.  No último ano as pessoas dizem-me que sou corajosa por ter deixado tudo e vindo ser estudante noutro país já entrada nos 30.

Ora se é fantástico que as pessoas admirem isto em mim, e isso me faça feliz, há dias em que não me sinto corajosa. Sinto-me estúpida. Tento sempre não pensar muito nas coisas antes de as fazer porque senão perderia a força, e acredito que quando a meio, mesmo que a força nos falte acabamos por encontrar uma saída.

Esta semana voltei para Hull, e não estou o mais capaz e equilibrada que tenho estado para a tarefa que me espera. Sinto-me depressiva, irritada com os que amo, perdida... Tenho medo de desenvolver alguma doença séria mental e por isso, procurei a equipa de conselheiros da universidade, são tipo psicólogos com quem se pode falar e que nos encaminham para serviços especializados.

 No meu caso concreto falar não é um problema, mas preciso de apoio especializado para que os meus hábitos alimentares não derrapem ainda mais. Eu como por conforto, e em alturas críticas tenho episódios de compulsão alimentar. Nos últimos meses têm piorado provavelmente devido a todo o stress que tenho tido. Por um tempo aceitei isto como estratégia de lidar com o stress do último ano, mas não é uma boa solução para mim.

Não sei se fará efeito mas a ter de começar por algum lado pareceu-me ser este o mais sensato, uma vez que todos os planos de nutricionista, inscrições no ginásio, caminhadas suplementos e tretas não resultaram. O meu corpo pede-me cuidado mas a começar pela cabeça.

Decidi falar disto, não por ser corajosa. Mas por outras duas razões, a primeira que me é mais cara é pelo estigma da doença mental, tudo o que puder fazer para o diminuir farei. A segunda razão porque a Internet está cheia de histórias felizes falsas, e isto irrita-me. Há sempre uma grande pressão para nos mostrarmos perfeitos. Mas não somos. E isso não deve ser um problema, nem uma pressão, se fossemos todos mais reais, talvez vivêssemos num mundo mais livre de problemas e influências negativas.

Em relação ao título... o tempo responderá. Se eu conseguir manter-me sã após o doutoramento então vir foi um acto de coragem, se a minha saúde for afectada por ele então certamente um de burrice. Porque nada vale a nossa saúde mental.



P.s. A foto hoje é uma selfie, porque estes problemas não se vêem na cara, e no entanto quero dar a cara por eles.






quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Mais do que ser magra... Aceitação está na moda!!!

Eu sei que tinha encerrado este Blog por sentir que já não fazia tanto sentido.
Mas hoje não resisti...

Este Blog começou um pouco antes desta revelação do movimento Bodypositive, acompanhou-o um pouco e nos últimos tempos senti que no fundo não escrevia aqui nada de novo.

Hoje contudo encontrei um artigo que achei piada e decidi vir aqui escrever, se quiserem ver podem clicar no link abaixo.

artigo

Concordo inteiramente com o artigo.  Acho que finalmente começa a sair de moda o ser magro e a estar na moda o aceitar-se as imperfeições.

Como espécie almejamos a beleza como um símbolo de perfeição.
Mas nem todas somos perfeitas e queremos sentir-nos representadas.

Continuo a achar que as mulheres são mais bonitas quando num peso saudável. Mas algumas de nós não estão nesse peso e também devemos poder ver como as roupas nos fica.

É disto que a moda agora  trata.
Não é uma glorificação da gordura!
É uma aceitação de que os gordos são pessoas como as outras e têm o direito a  experimentar com moda e viver plenamente sem ter  de se esconder em casa ou em roupas de formato tenda.

 As pessoas continuam a não querer ser obesas, e isso é necessário que se mantenha!

 Ser demasiado gordo não é bom, e não acredito que alguém que seja gordo o ache.

 Mas nós os gordos, graças a estas mudanças passamos a poder não ter mais o problema psicológico, acrescido a todos os outros que vêm com a gordura, e que nunca fez ninguém emagrecer.

Não é demais reforçar que as pessoas não são gordas porque querem. E não devem por isso ser ostracizados pela sociedade.

Eu particularmente desde que vim para a Inglaterra tenho sentido a gordura de forma totalmente diferente. Aqui as pessoas são mais gordas do que em Portugal e por isso eu na maioria dos dias sinto-me super normal. É bom finalmente ir às lojas e haver o meu tamanho em praticamente tudo, é bom não sentir que as pessoas me olham mais pelo meu tamanho que  pelo meu estilo por exemplo. É muito bom não me sentir posta de parte ou gozada pelo meu tamanho, como já fui tantas vezes, até em contexto de trabalho,

Outra das coisas que este movimento trouxe à tona é que há gostos para tudo e que  aquilo que incomoda uma pessoa pode ser adorado por outra.

Tenho por isso adorado ver as notícias de pessoas com deficiências, excesso de peso, doenças... a desfilarem nos desfiles de moda um pouco por toda a parte do mundo.

A pouco e pouco este movimento conseguiu o impensável, derrotar a ditadura da magreza e da beleza convencional como único modelo a seguir. Nem a  Vitoria Secret  foi poupada, com o seu espectáculo a ser descontinuado. Na lei da selecção natural não são os mais fortes que sobrevivem são os mais adaptados. E as forças pequeninas todas juntas podem muito.

Não estávamos no global a ser representados. É uma Era de mudança, em que cada um pode ser o que é e sentir-se feliz na sua pele. Viva!!!

Termino isto com uma foto de mim a ser gorda e num dia em que me sentia particularmente confiante na minha gordisse. :D








How happy I was if I could forget

  How happy I was if I could forget How happy I was if I could forget To remember how sad I am Would be an easy adversity But the recollecti...